O MOTIVO DE PEDIR DESCULPAS
PARA QUEM SE PERDEU E NÃO ENCONTRA MOTIVO DE PEDIR
DESCULPAS
Certa vez
assisti a um filme de humor escrachado americano (gosto de babaquice para desanuviar,
experimentem!), e o que vem ao caso é que a sucessão de cenas de um cidadão afro
descendente que exagera nas peraltices buscando ser preso, e toda vez que se
entregava, os responsáveis pela prisão diziam que não era culpa dele e deixavam
de lado (me perdoem não lembrar o nome do filme), posto se tratar de culpa
histórica praticada em desfavor dos demais afro descendentes pelos
colonizadores.
Mas o
propósito aqui, é que, em alguns momentos temos que agir como revoltosos,
recobrando a juventude, outras como bombeiros, em virtude da necessidade de que
a população sofrida recobre ao nível mínimo não a confiança, porque esta já se
foi lá atrás, mas o respeito a instituição até que solução institucional seja
encontrada, seja impeachment ou renúncia.
Neste
patamar, a Presidente, ontem fez referência ao passado sofrido que viveu, e,
como decorrência dele, sofrida que ainda visivelmente está do período de
repressão (note-se que não conseguiu superar, em perfil comum aos demais
companheiros), deve ter vivido na cadeia (perdeu dentes) sofrimento de tortura
que gerou a credencial política conferida nas urnas.
Todavia, esta
mesma credencial, não contou com um dado que a tornaria imune, quase de maneira
patológica, a uma necessidade pública de fazer frente a algo que não se
esquece, que é a morte do servidor da embaixada Americana que em nada tinha com
o movimento de repressão, e, que, certamente, é “fantasma” que assombrará a
vida da Presidente e cobrará desta uma atitude de caráter humano, as sinceras
desculpas, acompanhada da correção de atos decorrentes.
Não será a
anistia que a perdoará, porque este fantasma mora de maneira muito bem
escondida nos recônditos mais escondidos do interior da mente, e, como a todo
assassino, cobra inexoravelmente sempre que a lembrança é recobrada.
Este
cenário remete a criação de estrutura mental de defesa, deixando que a
consciência não fique atrapalhando os atos da rotina da vida diária, criando a
burla, e, com isto, o desvio do real sentido de pedir desculpas e de perdoar.
Esta
alteração da psique, é visível na atitude reflexa ao perdão que aponta como
solução ao pedido de perdão o fato de que o erro tem que ser devidamente
indicado.
Tenho comigo
que assumir que culpa a tapa na cadeia é dolorido, todavia, este fato tem que
ser esquecido porque a nação que hoje vive é absolutamente diferente do que foi
naquele tempo, e, todos merecemos, que se a Presidente necessita de tratamento
psicológico para superar a dor vivida, que faça em favor da nação, vai
conseguir lidar com os fantasmas internos.
Ou seja, a
Presidente vive hoje o cenário de ter sido acolhida como o rapaz do filme, por
conta da história, mas esta atitude tem limite, e é para ontem, visto que a
sangria decorrente está gerando asfixia própria e da população.
Onde
comprovo meu ponto de vista, é muito evidente a atitude de que a Presidente tem
em relação a quem é pego de forma inconteste com a mão na bolsa alheia;
todavia, quando você dia e noite trata a pessoa como amigo, e, este trai a
confiança, é evidente que a atitude coerente é a remessa as vias legais
cabíveis.
O que não
é compatível com o processo de perdão, é o fato de alijar da possibilidade de
perdão esta pessoa, ou seja, a Presidente não pede perdão, porque não desculpa,
e não desculpa porque não consegue lidar com seus próprios fantasmas.
O perdão
não é sinônimo de retirada da responsabilidade legal cabível.
Pedir
perdão Sra. Presidente, é decorrente do fato de causar mal, e, por vezes, o
fato de você prometer algo, e, tomar atitude diferente se torna passível de
reconhecer que sua palavra não valeu de nada, e com isto, ser coerente e
sensível à mágoa alheia, e pedir perdão é a atitude coerente a tomar, somente
os seres humanos tem esta capacidade.
Falo isto
para criar padrões mínimos de governabilidade em favor tão somente da
população, até que ocorra o impeachment, ou plebiscito para o impeachment, ou,
ainda, a renúncia, por outros fatores que vão muito além deste e que são
fatores de absoluta falta de condições de governabilidade decorrentes das
questões financeiras e administrativas, que deixam claro não estarem mais nas
mãos deste governo os destinos.
Peça
desculpa com sinceridade, mude de conduta, Sra. Presidente e verá os resultados
da população, não estou com isto traindo o que acredito diante dos fatos e
direitos decorrentes, tenho coerência, mas do jeito que está o caminho é
insustentável.
Hélio Barreto.
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